OOC: por motivos pessoais,não vou poder postar o turno da ”vaidade” na semana certa,então adiantei ele para essa semana,grata pela atenção.
Papillons et vanité.
Brigitte olhava seu reflexo na lago no meio da floresta. Afastou uma mecha de cabelo do rosto e a colocou atrás da orelha, e tentou enrolar as pontas do cabelos loiros,sem sucesso,pois eles não paravam do jeito que ela deixava.
Passou a mão pela sua pele branca e com textura macia,massageando as bochechas delicadamente. Sorriu para seu próprio reflexo e ficou treinando sorrisos,e reações sozinha no meio da floresta.
Tirou os espinhos de uma rosa que recebera mais cedo no mesmo dia na vila,e colocou em seu cabelo. Havia encontrado uma flor que soltava uma cor vermelha quando apertada contra a pele,e com apertou contra seu dedo,e a flor imediatamente soltou a tinta vermelha. Brigitte passou sobre seus lábios a tinta,e eles ficaram vermelhos.
Se levantou do chão,para poder observar seu vestido. O vestido que usava hoje,não era mais um vestido de menina,e sim de uma mulher feita. O corpete era aberto na frente,quase até a barriga,com o profundo ”v” coberto por um painel rendado com uma seda creme. As saias eram longas e cheias,a cintura apertada,deixando a cintura de Brigitte bem fina.
Vaidosa,ela mandou um beijo para seu reflexo e saiu da floresta risonha,indo para a casa de Gendry,visitar a égua e seus filhotes.
Ela parou atrás de uma arvore quando percebeu que Gendry estava conversando com outra garota. Brigitte forçou a visão para ver quem era. Não reconheceu a garota,mas não pode negar que era muito bonita. Gendry também pareceu pensar isso,ele não parava de conversar com ela,muito animado.
Brigitte sentiu uma coisa estranha em sua barriga,nunca havia sentido isso antes. Ela se sentiu mal,e com uma certa raiva. Depois de mais algumas palavras trocadas,a garota foi embora e Gendry voltou a cuidar de uma porta que não fechava. Como que por instinto,arrumou seus cabelos e seu vestido,e andou em direção a ele,silenciosamente.
Quando ele se distraiu com a porta,Brigitte se sentou em uma toco de arvore e ficou observando o amigo a cuidar da porta,ainda com um sentimento ruim nela.
-Quem era aquela menina que você estava conversando,Gendry ?-disse com um tom de voz seco,porém não havia forçado esse tom de voz. Ele se assustou e deixou cair um martelo em seu pé,visivelmente embaraçado com a situação. Brigitte encarava ele,fria como o gelo.
-Eu….desculpe…era…-Gendry encarou ela de volta,observando como ela estava bonita hoje e sorriu com a visão.-Era uma menina querendo informação sobre o caminho para o vilarejo.-Ele não parou de encarar ela,parecia hipnotizado.
-Ah bom.-disse Brigitte aliviada com a informação,porém ela sentiu os olhares dele e corou.-Eu…vou indo para a casa.-disse querendo fugir da situação,se levantou e no mesmo momento Gendry também fez isso.
-Brigitte…-disse segurando a menina pelos pulsos para ela não ir,e ele fitou ela.
-Sim ?-disse com a respiração lenta,e por um momento se perdeu nos olhos verdes de Gendry. Eles ficaram assim por um longo tempo,se olhando e Gendry começou a trazer Brigitte para mais perto de si.
Ela não se afastou da aproximação,e sentiu a barriga estranha…como se estivesse algo dentro,como borboletas…Seus rostos ficaram mais próximos,e Brigitte envolveu o pescoço de Gendry com suas mãos e ficou na ponta do pé,e sorriu para o garoto,que devolveu o sorriso.
Ele puxou-a para si e de repente estavam se beijando. Brigitte se esqueceu da morena que antes estava com ele,esqueceu de tudo por um momento. Gendry tinha gosto de menta. Quando se separaram,os lábios de Gendry estavam vermelhos da cor que outrora estava os lábios de Brigitte,ela riu e saiu correndo da casa de Gendry, com vergonha do que acabara de fazer,porém estava ao mesmo tempo muito feliz.
La paresse et les chats noirs.
Brigitte estava corada de frio quando chegou em casa. Havia passado o dia inteiro no vilarejo perto de sua casa,andando em buscas de gato pretos. Uma sexta-feira 13 estava chegando,e inquisitores e religiosos tem a mania de matar esses gatos nessa data,pois acreditam que são bruxas em forma de gatos ou que eles podem causar azar. Brigitte sempre acreditou o contrário;para ela quando gatos pretos cruzam seu caminho significa algo de muita sorte.
Carregava junto com ela um cesto com três gatos pretos filhotes e no outro braço,carregava uma gata que supostamente seria a mãe dos Gatos. Entrou sorrateiramente pela cozinha,pois duvidou que seus pais aceitem bem a ideia de ter mais quatro gatos dento de casa.
Chegou no seu quarto,e muitos gatos descansavam no canto estofado com almofadas feitas pela própria Brigitte. Eles nem deram o trabalho de miar,como era de costume.
Ela liberou a gata preta no chão do quarto,e sentou na borda da cama colocando a cesta com os gatinhos no seu colo,e retirou o tecido que protegia eles do frio e eles descansavam,aninhados entre si. Ela fez um carinho no topo de suas cabeças,e se ajeitou melhor na cama,com uma enorme preguiça apoderando ela.
Quanto mais acariciava os gatinhos,mais a garota bocejava e depois de alguns minutos resistindo o sono,com os olhos já pesados,só precisou demorar mais em um piscada do olho,e adormeceu entre os gatos.
A propos de chevaux et d’amitié.
Os longos cílios de Brigitte se chocaram delicadamente quando ela fechou seus famosos olhos violetas vagarosamente e permitiu que seu corpo se chocasse com uma grossa camada de neve fofa como se estivesse tentando flutuar.
Seu vestido estava demasiado apertado para esboçar um anjo na neve e falhou na tentativa de respirar fundo,e teve que se contentar com um pequeno suspiro.
Costumavam dizer que era feita de neve,e quando se deitou no meio de tamanha neve,quase conseguiu se camuflar,porém suas bochechas eram rosadas e seus olhos brilhavam como se estivessem refletindo as estrelas nele,mesmo que fosse de manhã ainda.
Ela poderia ser confundida com um anjo que caiu do céu para quem a visse no momento,mas no exato momento estava sonhando com o próximo ritual da meia noite.
Perdida em seus devaneios ela observou os flocos de neve caindo em seus longos cabelos.‘É injusto tudo no céu ser tão lindo e límpido,enquanto tudo aqui ser sujo e grosseiro”
Brigitte voltou a realidade com a voz delicada de sua mãe pedindo ajuda para arrumar a mesa do jantar. Agitou sem paciência a neve do seu vestido e seguiu caminho até dentro de sua casa.
Quando Brigitte entrou em casa o cheiro de porco assado invadiu seus sentidos e tentou roubar um pedaço dele,porém foi reprendida com um pequeno tapa de Melanie,sua mãe. Seu rosto era suave e depois permitiu que Brigitte provasse um pouco do ensopado que também prepará.
Estava colocando os talheres quando seu pai entrou em casa trazendo consigo Louise. Uma discussão se formou e o som das vozes irritadas foi cortado por um tapa que atingiu a bela face de Louise. Brigitte tentou amparar a irmã,porém foi afastada pelo seu pai.
A discussão se prolongou e Brigitte ficou assistindo com lágrimas nos olhos ver a tão querida irmã apanhar do pai. Ela tentou apartar a briga,porém seu pai estava tão nervoso que não ouviu os gritos de Brigitte ou o choro de Melanie.
-Não ouse desfazer esse noivado ou sou capaz de fazer pior. – ele disse observando Louise com desprezo, e depois se virou para Brigitte: - E você, olhe bem para sua irmã. Se não quer a mesma sina, sugiro que não cometa os mesmos erros. – dito isso, saiu pela porta.
Brigitte estava corada após gritar e seus olhos marejados,e logo após que o pai foi embora ajudou sua irmã a se levantar,mas a mesma foi embora pouco depois da ajuda de Brigitte,deixando ela sozinha com sua mãe chorosa. Ela não iria aguentar passar a noite em casa,com seus pais tão tristes e revoltados,então buscou sua capa em seu quarto e seguiu seu caminho fora de casa.
Ao sair de casa,observou que seu pai estava perto de uma lagoa perto da plantação de morangos,escondendo a sela do cavalo de Louise. Brigitte não ficou para assistir a cena,e continuou andando,até que ouviu um grito vindo da casa do vizinho.
-Brigitte!-Gendry estava sorrindo e acenou para ela do outro lado de cerca que separavam as propriedades.-Você precisa ver isso !-ele estava gritando,e Brigitte correu ao seu encontro,revoltada com a falta de tato e cuidado.
-Quantas vezes eu já lhe falei para não fazer isso ?-disse dando um pequeno tapa no topo de sua cabeça.-Se meu pai te encontrar falando comigo,ele irá arrastar o seu corpo junto com pedras para o fundo do lago e eu irei ficar presa em uma torre,você sabe como meu pai é.- Fechou os olhos,espantando as lágrimas,não queria que ele perguntasse o que havia acontecido ou a julgasse fraca.-Mas me fale,o que eu preciso tanto ver ?
-Lembra da égua de minha mãe,que estava prenha ?-Brigitte concordou com a cabeça.-Nasceram dois potrinhos faz pouco tempo,venha ver.-Gendry pegou a mão de Brigitte e a mesma rejeitou a ajuda dele,falando que conseguia andar sem ajudar dele,aborrecida com essa proteção desnecessária.
Eles pegaram um caminho que passava dentro da floresta e Brigitte necessitou a ajuda de Gendry,pois a floresta estava com o solo escorregadio,devido a neve que havia derretido e a saia de Brigitte era longa e ela prendia nos galhos das arvores baixas.
Depois de sair da floresta,Brigitte já se afastou de Gendry,ainda frustrada com a necessidade de ajuda e a mãe dele,uma senhora gorda e com cabelos mais ruivos do que o do próprio Gendry,a recepcionou com um abraço caloroso quando eles cruzaram a porta de casa e vários irmãos de Gendry brincavam animados,dançando uma quadrilha,enquanto o pai deles acendia uma lareira.
Brigitte adorava visitar a casa de Gendry, tudo parecia muito feliz e a família era grande e unida. De algum modo,mesmo com os abraços que recebeu dos parentes dele,ela ficou de algum modo emocionada com a cena que encontrou na casa dele e sentiu seus olhos se enchendo de lágrimas de novo.
-Gendry,você me falou dos potrinhos…vamos ver eles ? Você sabe que não posso demorar…-disse,pela segunda vez do dia tentando esconder as lágrimas do amigo. Ele concordou e Brigitte se colocou a andar rapidamente em sua frente,já conhecia os caminhos na casa dele e isso evitou qualquer tipo de conversa.
No estabulo,a égua dormia no chão,parecendo exausta depois de dar a luz aos dois potrinhos,que dormiam ao lado da mãe.
Brigitte sorriu ao ver os potrinhos,e se ajoelhou para acariciar delicadamente a crina da égua dorminhoca,e os pelos brancos estavam molhados de suor após o seu parto.
-Você fez um bom trabalho garota.-disse ainda acariciando a égua.-seus filhotes estão em boas mãos,assim como você.-sorriu para Gendry,que estava só observando a cena calado. Ele corou quando recebeu o sorriso de Brigitte fazendo ela rir.
-Você poderia ficar com um dos filhotes,todos aqui em casa já tem um cavalo.-disse encabulado.-Afinal de contas,você cuidou dela durante todo o tempo que ela esteve prenha.
-Oh.-Os olhos de Brigitte brilharam com a possibilidade de ter um cavalo,adorava andar no cavalo de sua irma.-Adoraria ter o cavalo,mas…não posso levar ele para casa.-disse se levantando do chão,afastando o feno que estava seu vestido.-Meu pai ficaria furioso.
-Nós não temos condição de cuidar dos dois cavalos,Brigitte.-fez uma pausa.-Estão ameaçando tomar nossa casa se não pagarmos as dividas para o conde.-Seu rosto estava sério,como não era costumeiro.-
-Gendry…eu não sabia,me desculpe…-disse desolada,e segurou firme sua mão.-Eu tento falar com Louise…ela pode me ajudar a ficar com um deles.
-Não quero que você se arrisque Brigitte.-As bochechas de Gendry estavam mais vermelhas do que seu cabelo.-Não precisa ficar com eles por causa disso.
-Você é meu melhor amigo,não iria te deixar assim.-Brigitte se colocou na ponta dos pés e beijou delicadamente a sua bochecha e deu uma risadinha.-Bom,preciso ir antes que a lua apareça no céu.
-Sim,é melhor que eu vá com você.
-Ah,grande novidade…me trata como se fosse uma de suas irmãs.-Brigitte se colocou a andar,novamente na frente dele,mostrando que não precisava de sua ajuda,porém mais tarde quando entraram na floresta,novamente foi vencida pelos galhos e precisou de sua ajuda.
Quando chegou perto de sua casa,Brigitte prometeu a Gendry que voltaria amanhã quando o céu começasse a esclarecer e o garoto foi embora. Brigitte pulou a pequena janela de seu quarto e se jogou em sua cama,e adormeceu no mesmo momento. O dia fora longo.
Nuit Frustrés.
A noite estava silenciosa e clara;a lua estava cheia e iluminava toda a floresta,matilhas de lobos uivavam como se estivessem tentando falar com a lua e corujas piavam nos topos das árvores.
Estava pronta para sair de casa,Louise e os senhores meus pais estavam dormindo já fazia algum tempo.Não me leve a mal,oh não!Não gosto de enganar as pessoas,ainda mais a minha própria família que amo tanto,mas não resisto a nenhuma aventura noturna.
As estrelas parecem me chamar,e não hesito nem ao menos uma vez a me entregar ao seus mistérios.Meu destino hoje ainda é desconhecido,mas ao menos sei que todos os deuses e deusas estão comigo.
Abri o portão de casa cautelosamente e mesmo assim fez um ruído;mínimo,porém o suficiente para fazer Albuquerque,Arya,Adrienne e Anne começarem a miarcomo se não houvesse amanhã.
Uma vela acendou dentro de casa e tive de entrar com cautela pela janela do quarto de Louise,cuja estava em um sono profundo e não percebeu minha presença no seu quarto.
Já dentro do meu quarto mal mobiliado;avistei meus gatos,que miaram ao me ver na porta do quarto.
-Jamais le faire ou je vais nourrir tous les loups-garous pour vous!-sussurei para eles e voltei para o conforto de minha cama.
